Suspiro...
Dia de arrumação e viagem...
Coloquei uma cortina, pendurei um mensageiro de vento que ganhei da Márcia, coloquei roupas de cama para lavar, estendi cobertores e travesseiros no sol, comprei uma arara para pendurar minhas roupas que estavam em caixas de papelão, enfim, deixei a casa pronta para minha viagem.
Como terminei de ler
"Quando Nietzsche chorou", estava ansioso para começar a ler
"Novecentos".
A viagem começa e o trânsito de São Paulo permite que eu leia e chore
"Novecentos" antes de chegarmos em Jundiaí. É um livro pequeno, como todos os que eu já li de Alessandro Baricco:
"Seda" e
"Sem Sangue". Todos impactantes, todos de uma beleza difícil de adjetivar, todos com imagens encantadoras!! Um autor que TODOS precisam ler para se sentir mais humano, naquilo que o humano tem de mais belo!!
Fechado o livro, começa o espetáculo no poente: é o Sol se despedindo deste dia.
Adoro viajar em horários em que o Sol está se apresentando no palco do horizonte. No ônibus este espetáculo varia a cada quilômetro e você só precisa se deixar levar pela paisagem que se descortina, divertindo-se com o balé de luzes e cores.
Tanto faz o nascer do sol, ou o por do sol... adoro ambos. Posso vê-los diariamente e nunca me sento cansado. A exuberância ao nascer, a placidez ao se despedir. Assim devoro a Vida.
Apesar de gostar de ver estes espetáculos dentro de um ônibus, o mais lindo nascer de sol que eu tive a oportunidade de vivenciar foi no alto de uma montanha; o Pico das Bandeiras. Caminhar a noite toda para chegar ao pico com a noite ainda presente. Chega-se ao pico, troca-se de camiseta para o delicioso conforto de uma camiseta limpa, que se aqueceu com o calor de seu próprio corpo dentro da mochila durante o trajeto... pequenos prazeres que fazem uma diferença inesquecível! Depois é se sentar quietinho e deixar a natureza brilhar.
Enfim, Araras! Mãe, Irmã, Cunhado, Mathilde, a casa, o quintal, o quarto, a cozinha, a sala... tudo pulsando em mim!