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sábado, 24 de janeiro de 2026

No labirinto do Cinema Nacional

 

Quando falamos de “O Agente Secreto” não estamos falando do cinema nacional. Estamos falando de um filme, mas será que um filme representa o cinema nacional?

Ontem eu tive a oportunidade de assistir “Labirinto dos Garotos Perdidos”, direção de Matheus Marchetti, um filme que participou da 49º Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

É um filme lindo, cenas muito bem filmadas e elaboradas. O roteiro nos traz uma Alice no país dos aplicativos. Miguel faz uma jornada noite adentro passando por uma São Paulo fora das ruas, luzes e tráfego. É um filme muito bom, divertido e questionador. E um grande detalhe: qual foi o orçamento do filme?

Zero.

Exatamente. Matheus Marchetti realizou este filme com exatamente zero reais. Matheus, formado em Cinema pela FAAP,  é diretor, roteirista e produtor de seu filme. Já realizou diversos curtas e médias, “O Beijo do Príncipe” (2015), “O Bosque dos Sonâmbulos” (2017), “O Solar dos Prazeres Noturnos” (2024), “As Núpcias de Drácula” (2018), e o longa “Verão Fantasma” (2022). “Labirinto dos Garotos Perdidos” é o seu segundo longa-metragem.

“O Bosque dos Sonâmbulos” também foi montado no teatro, e foi com o elenco do espetáculo que Matheus trouxe os atores que realizaram “Labirinto dos Garotos Perdidos”. É deste cinema nacional que eu quero falar. Um cinema que está além dos grandes financiamentos e patrocinadores.

Para a realização deste filme foram necessárias diversas concessões gratuitas, como a permissão para filmagem no Aquário de São Paulo. Os equipamentos pertencem ao próprio Matheus. Os atores cederam seus finais de semana para as gravações.

Será que este Cinema Nacional é lembrado nas mídias corporativas? Não. Nunca. Mesmo nas mídias chamadas progressistas, não os vejo falar deste cinema nacional, nunca vi.

E apesar da invisibilidade, este Cinema existe e resiste. “Labirinto dos Garotos Perdidos” entrará em cartaz em junho e está na plataforma Filmicca.

No próximo ano Matheus Marchetti vai lançar “O Retrato de Dorian Gray”, já gravado, passando pelas etapas de finalização de sua produção.

E Viva o Cinema Nacional, não apenas as grandes produções, mas o cinema que se faz apesar da falta de financiamento e apoio. Que tal batalharmos para mudar essa realidade?