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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Morro dos Itatins em Peruíbe, 3ª vez

 


    Cá estamos, em Peruíbe, atravessando a ponte dos Pescadores, sobre o Rio Peruíbe, em tupi-guarani, rio dos tubarões (Iperu).
    Janeiro de 2026, é o terceiro ano que eu passo alguns dias aqui em Peruíbe. Desde a primeira vez eu me propus e escalei o Pico dos Itatins, em tupi-guarani, pedras pontudas ou nariz de pedra.
    Essa trilha não pode ser acessada sem autorização do órgão competente.
    Assim, em 2024, eu escalei o Pico pela primeira vez. Não conhecia a trilha. Não fazia ideia do que me aguardava. Era apenas um desafio que fiz para mim mesmo. Estava me sentindo um tanto frustrado com minha vida, aos 59 anos de idade, chegando nos 60. Eu precisava me sentir vivo e capaz. E escalar uma montanha é sempre um desafio que nos move literalmente.
    A trilha do Pico dos Itatins não é fácil, tem um desnível de mais de 500m. Nesse ano, 2026, eu levei 3 horas para atingir o alto do pico. Em 2024 eu não sabia nada sobre a trilha, foi uma descoberta.
    Alguns anos antes eu havia realizado um trabalho terapêutico baseado em Gurdjieff. Foi esse trabalho que me ajudou a conquistar esse desafio. Gurdjieff desenvolve nossa força de vontade e nos apresenta baterias de energia internas. Quando achamos que não conseguimos mais, vamos fundo em nós mesmos e encontramos mais energia para continuar.
    Assim foi a minha primeira escalada. Uma escalada de descoberta e de encontrar a força dentro de mim para eu conquistar o desafio ao qual eu me propus.
    No decorrer de 2024, para me ajudar nas dificuldades do meu cotidiano, eu iniciei um novo trabalho terapêutico, a Bioenergética. E foi com esse trabalho que, em 2025, eu escalei o Pico dos Itatins novamente. Dessa vez eu já estava ciente das dificuldades, me lembrava de alguns trechos.
    Nessa segunda escalada eu já sabia o tanto de energia que eu precisava e com a Bioenergética, pude experimentar ainda mais seus princípios. Nessa escalada, além de vencer o desafio, pude aplicar tudo o que eu aprendi através dos princípios da Bioenergética. Na descida eu já estava pensando em escrever sobre minha experiência.
    Chegamos em 2026, toda aquela frustração de 2024 é passado. 2026 será um ano de novos caminhos, novos desafios, novas conquistas. E para 2026, além da escalada, me propus a registrar essa experiência. Então, aqui vamos nós.
    Começamos com a estrada do Guaraú, vermelho ou avermelhado. Aqui já nos deparamos com a primeira dificuldade, apesar do asfalto, é uma estrada sem acostamento, uma rampa íngreme. Apesar da caminhada em asfalto, é preciso bastante esforço e muita atenção com os carros que transitam pela estrada.
    Vencido o aclive, encontramos essa imagem de Nossa Senhora das Graças. Logo após essa curva, seguindo a estrada, chegamos no início da trilha, na próxima curva, do lado direito.
    Chegamos no início da trilha. Logo após um pequeno riacho.

    Eu divido a trilha em 3 elevações. Logo no início, é uma elevação irregular mas tranquila. É uma etapa escorregadia, mas na subida o processo é mais fácil, apesar de ser um trecho em aclive.

    Essa etapa já é um bom preparo para o que nos aguarda. A trilha é bastante irregular, com degraus de terra e raízes, mas podemos caminhar sem muito esforço.
    Depois de cada elevação, temos um trecho mais plano, um pedaço de trilha mais tranquilo, que dá para relaxar um pouco e apreciar a caminhada.
    Aqui já estamos na segunda elevação, e à esquerda vemos a placa de 600m. Já passamos pela placa de 300m, vamos encontrar a de 700m mais à frente. São bons sinais do progresso da caminhada, mas ainda não chegamos na metade da trilha.
    Após a segunda elevação, temos mais um trecho plano, tranquilo. Esse é um dos trechos que eu mais gosto da trilha. Neste trecho você vê o oceano através das árvores. Aqui você respira um ar diferente. É o último trecho tranquilo que antecipa a terceira elevação, o trecho mais difícil da trilha.
    Iniciamos então a terceira elevação, a mais difícil. Esse trecho é bastante íngreme. Não é mais uma caminhada, é uma escalada. É para subir de quatro mesmo, com pés e mãos no chão, segurando raízes.
    Essa foto não deixa claro o caminho, mas é um trecho em aclive, para destacar a dificuldade do trecho. À esquerda, encontramos um pequeno córrego, com um filete de água. É um ótimo lugar para um descanso, encher as garrafas com água. Daqui para frente é que vamos realmente conquistar o Pico.
    Esse é um bom exemplo da característica desse trecho. A trilha é uma escalada, com pedras e raízes. É o momento em que paramos para desistir, mas não desistimos.
    Chegamos no lugar que eu considero mais difícil. Talvez seja possível ver na foto que existe uma corda estendida no canto superior direito, talvez a corda ajuda a escalada, talvez não. É um trecho de rocha, com muitas raízes. Aqui é totalmente escalada.
    Passamos pelo trecho mais difícil, o que não significa que vai ficar fácil. A escalada continua.
    Estamos quase no final, o trecho fica mais fácil, é quase uma trilha, o céu já aparece atrás das árvores.
    Enfim, chegamos, mas a trilha ainda não acabou.
    Neste ponto estamos no cruzeiro, e daqui podemos ver Peruíbe, lá embaixo, e a serra ao fundo. Um lugar lindo, e já podemos comemorar a conquista. Mas ainda tem um pouco mais.
    É preciso caminhar ainda um pouco mais, uns 150m, por uma trilha no meio do mato, até encontrar as pontas. Você se lembra? Pico dos Itatins, Pico das pontas. Aqui estão elas, são duas. Eu estou em uma, fotografando a outra e a paisagem no horizonte. Nesse trecho é preciso apenas cuidado para não se perder na trilha, pois tem bastante mato. Mas a rocha é a referência.
    Aqui sim, o momento mágico, sobre a rocha, no alto do Pico. Lá embaixo, distante, a praia do Guaraú. Um bom momento para sentar, meditar, descansar, celebrar a conquista e desfrutar esse momento tão incrível e gostoso.
    Olhando para a direita, vemos o vale, as sinuosidades do rio Guaraú. A paisagem é deslumbrante. O prêmio pelo esforço.
    
    Após uma longa pausa de desfrute e deslumbre, temos que voltar.
    É bom lembrar que, para baixo, todo santo ajuda, e se o santo é forte, às vezes ele dá um empurrão. Então, muito cuidado. O que, na subida foi esforço, na volta é atenção. Não é uma boa ideia levar um tombo, principalmente no primeiro trecho da descida, íngreme e com rochas. Se você cair, você rola. É melhor sujar a bunda do que quebrar um braço ou uma perna. E se você quebrar uma perna, só vai conseguir sair da trilha com o resgate.
    A volta também tem seus desfrutes. Não se esqueça de parar novamente no regato no início da última elevação, depois daqueles trechos difíceis. Foi difícil subir, não será fácil descer. Mas ao terminar, desfrute um tanto da água do regato antes de continuar a descida.
    A descida pode ser mais prazerosa, menos esforço, mas mantenha a atenção, principalmente no última trecho da descida, a primeira elevação, é um trecho bastante escorregadio.
    No final, você se lembra do regato ao lado do início da trilha? Pois é. Água gostosa, com poços para se banhar inteiro. Depois de 3, ou 5, ou 6 horas de caminhada e escalada, aproveite mais esse prêmio pela conquista.
    Eu gosto de, depois da escalada, passar pela praia do Costão. Se você tiver energia para tanto. Na praia do Costão, antes de atravessar a ponte sobre o Rio Peruíbe na volta, no canto da praia, tem uma bica. Aquele regato lá no alto, que chega como um riacho no início da trilha, ele segue até a praia do Costão. Aqui o pessoal canalizou a água e você consegue tomar um banho de água doce na praia. Mais um prêmio.
    E chegamos ao final de mais esse périplo.
    Eu não sei se em 2027 eu conseguirei realizar essa escalada novamente. Por isso resolvi registrar alguns momentos e descrever essa trajetória. São essas conquistas, talvez pequenas, que me fazem seguir. Espero que essa narrativa também te incentive a buscar suas conquistas.















sábado, 21 de julho de 2012

De volta à realidade...

     O que dizer quando acordamos de um sonho bom?
     O que dizer quando tudo o que vivemos ainda tem o gosto de "quero mais"?
     O que dizer quando as memórias estão tão vivas que o coração bate como se movesse o mesmo sangue, a mesma emoção?
     O que dizer quando não nos sentimos mais a mesma pessoa, o mesmo ser, nem mesmo o mesmo, corpo, alma?


     Talvez, dizer o que disse nestas linhas escritas. Descrever cada momento, cada sensação, não todas, absolutamente, mas aquelas que continuam a gritar.


     Tchau Belém!
     Até a volta Alter do Chão!
     Perdido rio, ah meu rio... você é meu rio e eu pedra de rio.
     Um dia eu volto.

     Passada a floresta e seus rios. Passadas as nuvens altas que cobriam a terra. Eis as luzes de cidades, eis a luzes que se movem como formiguinhas no chão. Eis a cena de ficção científica das cidades iluminadas e suas estradas. Saio de um lindo sonho para voltar à realidade.
     Que este dia passe logo e que os sonhos voltem a imperar em minha noite!


Já vou embora, mas sei que vou voltar
Amor não chora, se eu volto é pra ficar
Amor não chora, que a hora é de deixar
O amor de agora, pra sempre ele fica
Eu quis ficar aqui, mas não podia
O meu caminho a ti, não conduzia
Um rei mal coroado,
Não queria
O amor em seu reinado
Pois sabia

Não ia ser amado
Amor não chora, eu volto um dia
O rei velho e cansado já morria
Perdido em seu reinado
Sem Maria
Quando eu me despedia
No meu canto lhe dizia 

A despedida

Teatro Cuíra
     Para encerrar a viagem, uma noite de espetáculos, de festa, de Amigos.
     Comecei minha festa particular de despedida indo ao Teatro Cuíra para ver Aldeotas, de Gero Camilo, pelo Grupo Grutas. Mais um espaço de resistência de artistas que lutam para terem um espaço além daqueles mantidos pelo status quo. Fiquei muito feliz ao ver que este trabalho está incluído na programação do Festival Cultura de Verão, inclusão esta que propiciou a nova pintura do teatro. Nem vou questionar de isto é realmente motivo para ficar feliz. Estes atores maravilhosos que o digam.
Sala de espera do Teatro Cuíra











     E para minha despedida, ganhei este show maravilhoso, nas margens do rio, no chamado Pier da Casa das Onze Janelas.
     Descobri que o melhor lugar para assistir aos shows era ao lado de uma lata de lixo. As pessoas mais bonitas da noite passaram pertinho de mim, de muitas sorrisos ganhei! Os detalhes não lhes contarei...


     O primeiro show, STROBO, com base eletrônica, uma guitarra furiosa e bateria. No telão, animações incríveis para deixar o show ainda melhor.
     Logo depois, uma banda de rock, com músicas em português, maravilhosa: Johny Rockstar! Alguns refrões da banda:
     "Alcalina é uma menina fatal. Beija minha boca e me faz passar mal"
     "O mundo está cheio de mortos vivos em eterna escuridão"
     E para completar a noite, a banda trouxe este guitarrista irado como convidado, não guardei seu nome... Mas tirei a foto para o povo do Ilú Obá de Min!

     Apenas para ilustrar, logo na entrada do pier, temos esta praça. Ao fundo está a Casa da Onze Janelas, cuja parede foi utilizada para a projeção de imagens do palco. Um pouco à frente, um conjunto de fontes com águas brincantes. Sem falar do litrão de Skol por R$ 6. Dá para acreditar que um lugar assim existe? Precisei fotografar, senão ninguém iria acreditar!



     O show terminou, mas não minha noite.
     Durante o dia encontrei um lugar indicado como "imperdível" por uma Pessoa chamada Cristina, o Bar do Rubão. Terminado o show, caminhei até lá, que era próximo do pier, para tomar mais uma cerveja e tomar um caldo de caranguejo. Infelizmente, o Bar do Rubão sem a Cristina não é a mesma coisa, mas valeu, e vai valer mais quando eu voltar lá em sua companhia.
     Na esquina do Bar do Rubão existe esta sereia, pois é aqui que acontece a Festa da Sereia! O melhor desta terra, tem festa para tudo!!!



     Últimas fotos.
     Últimos momentos.

     Para o encerramento oficial, voltei ao Bar do Parque, onde encontrei Amigos de Belém. Vania, uma das autoras do livro "Escritos feitos de amor" http://www.estantevirtual.com.br/livreirodosaracas/Varios-Autores-Escritos-Feitos-de-Amor-52409274, o Matheus e o Romário... como nomeá-los? Artistas da terra? Artistas não-acadêmicos? Para que nomeá-los? Foi uma noite maravilhosa



e ponto final

Belém, conhecendo um pouco de nossa história

Museu de Arte e Museu Histórico
     E começando mais um dia. Na segunda-feira os museus não abrem, portanto, hoje, será o dia deles. Aqui temos o Museu de Arte e ao fundo o Museu Histórico. O prédio do Museu Histórico era a antiga Casa dos Governadores. Foi daqui que saiu o primeiro Círio de Nazaré, pois o governador da época foi curado pela graça da Santa e lhe fez a promessa do Círio. Assim, ele convidou a população para a celebração e, logo nesta "estréia", 9.000 pessoas compareceram. Depois do sucesso a igreja tentou impedir a continuidade da cerimônia mas o povo sempre se revoltava contra as determinações da igreja e realizada o Círio mesmo com a proibição dos padres e bispos.
Museu de Arte de Belém
     
Não se pode tirar qualquer foto dentro do Museu Histórico, nem mesmo do Hall, que é magnífico, com seu lustre em bronze, as escadarias suntuosas e os vitrais. Infelizmente esta imagem vai ficar apenas na minha memória. Os salões do Museu Histórico também são magníficos.
     No Museu de Arte também não são permitidas fotografias, mas pelo menos me deixaram fotografar o hall, as escadarias de acesso ao Museu. Fica esta foto como referência da grandiosidade do lugar.


Igreja de São João Batista
     Atrás do Museu Histórico fica esta pequena Igreja, Igreja de São João Batista, obra do arquiteto italiano Antonio Landi. Este arquiteto é muito conhecido em Belém e possui um salão dedicado a sua história e sua obra no Museu Histórico.

     Dentro da Igreja de São João Batista, dois quadros, um de cada lado da igreja, um com a imagem de São João anunciando a vinda de Cristo, no outro sua cabeça na bandeja para Salomé.














Museu de Arte Sacra e Igreja de Santo Alexandre
     Outro lugar magnífico que tive o prazer de conhecer foi o Museu de Arte Sacra e a Igreja de Santo Alexandre. Aqui todas as obras tem uma iluminação em foco, especial, e a igreja fica em penumbra para não prejudicar o madeiramento, todo escuro, restaurado, mas sem sua cobertura com folhas de ouro. Sua força está em sua história, pois todas as obras em madeira foram esculpidas por nativos escravizados. A monitora do Museu, a Tainá, demonstrou um conhecimento e carinho por sua função que me deixou encantado. Aqui também não são permitidas fotografias.

Casa das Onze Janelas
     Na mesma praça em que encontramos a Catedral Metropolitana e o Museu de Arte Sacra, está a Casa das Onze Janelas, ao lado do rio. Infelizmente sua visitação só é permitida a partir da quarta-feira.


     Entre o Museu de Arte Sacra e a Casa das Onze Janelas, encontramos o Forte do Presépio, ou Forte do Aquartelamento. Neste local está a origem do povoamento de Belém e do Amazonas.


     Este forte já foi objeto de inúmeras pesquisas arqueológicas e mantém um pequeno museu que nos mostra todo o trabalho que foi realizado. É o único lugar onde encontrei alguma referência aos povos indígenas que habitavam esta região antes da dominação portuguesa.

     Abaixo, uma vista do Ver o Peso e das Docas a partir do Forte.


     Nesta foto tirada de dentro do forte, vemos, logo em frente, a Catedral Metropolitana. Um exemplo claro da combinação Estado/Igreja para estabelecer o domínio desejado.
     O que mais me incomodou em toda este passeio foi a completa ausência de monumentos ou obras retratando os verdadeiros fundadores de nosso país, os habitantes originais desta terra. O que vemos são os símbolos de dominação, o nativo sempre ajoelhado e recebendo "as bençãos" de seus dominadores e assassinos. É a típica história dos vencedores. Será que um dia teremos realmente orgulho de sermos filhos de Pindorama? Será que um dia seremos capazes de questionar nossa nacionalidade, não mais como dominados e batizados por europeus?
     O que temos é apenas uma história da Europa na América.