Cá estamos, em Peruíbe, atravessando a ponte dos Pescadores, sobre o Rio Peruíbe, em tupi-guarani, rio dos tubarões (Iperu).
Janeiro de 2026, é o terceiro ano que eu passo alguns dias aqui em Peruíbe. Desde a primeira vez eu me propus e escalei o Pico dos Itatins, em tupi-guarani, pedras pontudas ou nariz de pedra.
Essa trilha não pode ser acessada sem autorização do órgão competente.
Assim, em 2024, eu escalei o Pico pela primeira vez. Não conhecia a trilha. Não fazia ideia do que me aguardava. Era apenas um desafio que fiz para mim mesmo. Estava me sentindo um tanto frustrado com minha vida, aos 59 anos de idade, chegando nos 60. Eu precisava me sentir vivo e capaz. E escalar uma montanha é sempre um desafio que nos move literalmente.
A trilha do Pico dos Itatins não é fácil, tem um desnível de mais de 500m. Nesse ano, 2026, eu levei 3 horas para atingir o alto do pico. Em 2024 eu não sabia nada sobre a trilha, foi uma descoberta.
Alguns anos antes eu havia realizado um trabalho terapêutico baseado em Gurdjieff. Foi esse trabalho que me ajudou a conquistar esse desafio. Gurdjieff desenvolve nossa força de vontade e nos apresenta baterias de energia internas. Quando achamos que não conseguimos mais, vamos fundo em nós mesmos e encontramos mais energia para continuar.
Assim foi a minha primeira escalada. Uma escalada de descoberta e de encontrar a força dentro de mim para eu conquistar o desafio ao qual eu me propus.
No decorrer de 2024, para me ajudar nas dificuldades do meu cotidiano, eu iniciei um novo trabalho terapêutico, a Bioenergética. E foi com esse trabalho que, em 2025, eu escalei o Pico dos Itatins novamente. Dessa vez eu já estava ciente das dificuldades, me lembrava de alguns trechos.
Nessa segunda escalada eu já sabia o tanto de energia que eu precisava e com a Bioenergética, pude experimentar ainda mais seus princípios. Nessa escalada, além de vencer o desafio, pude aplicar tudo o que eu aprendi através dos princípios da Bioenergética. Na descida eu já estava pensando em escrever sobre minha experiência.
Chegamos em 2026, toda aquela frustração de 2024 é passado. 2026 será um ano de novos caminhos, novos desafios, novas conquistas. E para 2026, além da escalada, me propus a registrar essa experiência. Então, aqui vamos nós.
Começamos com a estrada do Guaraú, vermelho ou avermelhado. Aqui já nos deparamos com a primeira dificuldade, apesar do asfalto, é uma estrada sem acostamento, uma rampa íngreme. Apesar da caminhada em asfalto, é preciso bastante esforço e muita atenção com os carros que transitam pela estrada.
Vencido o aclive, encontramos essa imagem de Nossa Senhora das Graças. Logo após essa curva, seguindo a estrada, chegamos no início da trilha, na próxima curva, do lado direito.
Chegamos no início da trilha. Logo após um pequeno riacho. Eu divido a trilha em 3 elevações. Logo no início, é uma elevação irregular mas tranquila. É uma etapa escorregadia, mas na subida o processo é mais fácil, apesar de ser um trecho em aclive.
Essa etapa já é um bom preparo para o que nos aguarda. A trilha é bastante irregular, com degraus de terra e raízes, mas podemos caminhar sem muito esforço.
Depois de cada elevação, temos um trecho mais plano, um pedaço de trilha mais tranquilo, que dá para relaxar um pouco e apreciar a caminhada.
Aqui já estamos na segunda elevação, e à esquerda vemos a placa de 600m. Já passamos pela placa de 300m, vamos encontrar a de 700m mais à frente. São bons sinais do progresso da caminhada, mas ainda não chegamos na metade da trilha.
Após a segunda elevação, temos mais um trecho plano, tranquilo. Esse é um dos trechos que eu mais gosto da trilha. Neste trecho você vê o oceano através das árvores. Aqui você respira um ar diferente. É o último trecho tranquilo que antecipa a terceira elevação, o trecho mais difícil da trilha.
Iniciamos então a terceira elevação, a mais difícil. Esse trecho é bastante íngreme. Não é mais uma caminhada, é uma escalada. É para subir de quatro mesmo, com pés e mãos no chão, segurando raízes.
Essa foto não deixa claro o caminho, mas é um trecho em aclive, para destacar a dificuldade do trecho. À esquerda, encontramos um pequeno córrego, com um filete de água. É um ótimo lugar para um descanso, encher as garrafas com água. Daqui para frente é que vamos realmente conquistar o Pico.
Esse é um bom exemplo da característica desse trecho. A trilha é uma escalada, com pedras e raízes. É o momento em que paramos para desistir, mas não desistimos.
Chegamos no lugar que eu considero mais difícil. Talvez seja possível ver na foto que existe uma corda estendida no canto superior direito, talvez a corda ajuda a escalada, talvez não. É um trecho de rocha, com muitas raízes. Aqui é totalmente escalada.
Passamos pelo trecho mais difícil, o que não significa que vai ficar fácil. A escalada continua. Estamos quase no final, o trecho fica mais fácil, é quase uma trilha, o céu já aparece atrás das árvores. Enfim, chegamos, mas a trilha ainda não acabou. Neste ponto estamos no cruzeiro, e daqui podemos ver Peruíbe, lá embaixo, e a serra ao fundo. Um lugar lindo, e já podemos comemorar a conquista. Mas ainda tem um pouco mais.
É preciso caminhar ainda um pouco mais, uns 150m, por uma trilha no meio do mato, até encontrar as pontas. Você se lembra? Pico dos Itatins, Pico das pontas. Aqui estão elas, são duas. Eu estou em uma, fotografando a outra e a paisagem no horizonte. Nesse trecho é preciso apenas cuidado para não se perder na trilha, pois tem bastante mato. Mas a rocha é a referência.
Aqui sim, o momento mágico, sobre a rocha, no alto do Pico. Lá embaixo, distante, a praia do Guaraú. Um bom momento para sentar, meditar, descansar, celebrar a conquista e desfrutar esse momento tão incrível e gostoso.
Olhando para a direita, vemos o vale, as sinuosidades do rio Guaraú. A paisagem é deslumbrante. O prêmio pelo esforço.
Após uma longa pausa de desfrute e deslumbre, temos que voltar.
É bom lembrar que, para baixo, todo santo ajuda, e se o santo é forte, às vezes ele dá um empurrão. Então, muito cuidado. O que, na subida foi esforço, na volta é atenção. Não é uma boa ideia levar um tombo, principalmente no primeiro trecho da descida, íngreme e com rochas. Se você cair, você rola. É melhor sujar a bunda do que quebrar um braço ou uma perna. E se você quebrar uma perna, só vai conseguir sair da trilha com o resgate.
A volta também tem seus desfrutes. Não se esqueça de parar novamente no regato no início da última elevação, depois daqueles trechos difíceis. Foi difícil subir, não será fácil descer. Mas ao terminar, desfrute um tanto da água do regato antes de continuar a descida.
A descida pode ser mais prazerosa, menos esforço, mas mantenha a atenção, principalmente no última trecho da descida, a primeira elevação, é um trecho bastante escorregadio.
No final, você se lembra do regato ao lado do início da trilha? Pois é. Água gostosa, com poços para se banhar inteiro. Depois de 3, ou 5, ou 6 horas de caminhada e escalada, aproveite mais esse prêmio pela conquista.
Eu gosto de, depois da escalada, passar pela praia do Costão. Se você tiver energia para tanto. Na praia do Costão, antes de atravessar a ponte sobre o Rio Peruíbe na volta, no canto da praia, tem uma bica. Aquele regato lá no alto, que chega como um riacho no início da trilha, ele segue até a praia do Costão. Aqui o pessoal canalizou a água e você consegue tomar um banho de água doce na praia. Mais um prêmio.
E chegamos ao final de mais esse périplo.
Eu não sei se em 2027 eu conseguirei realizar essa escalada novamente. Por isso resolvi registrar alguns momentos e descrever essa trajetória. São essas conquistas, talvez pequenas, que me fazem seguir. Espero que essa narrativa também te incentive a buscar suas conquistas.

















































